A cidade de Alva, construída sobre pilares de
energia solar e comunicação mental, tornase um
laboratório de novas relações sociais. A antiga
elite, agora reduzida a uma minoria, mantém
segredos que o sistema não permite revelar.
A socialite falsa, conhecida como Lúcia Moreira,
desaparece durante um festival de luzes anual,
deixando para trás apenas uma carta escrita em
código. Seus contatos são bloqueados por leis de
privacidade reforçadas após a transição
republicana, e sua família nega qualquer relação
com ela.
No dia seguinte, uma mulher de aparência
idêntica a Lúcia é encontrada em uma fábrica
abandonada, grávida de um bebê cujo DNA não
coincide com nenhum registro do sistema. O
governo declara emergência, exigindo que a
gestação seja interrompida, mas uma rede de
ativistas clandestinos, inspirada na memória
retro dos anos 70, começa a investigar.
Lúcia, em realidade, foi recrutada por um grupo
que busca resgatar informações perdidas da era
monárquica, usando tecnologia de armazenamento
de memórias em cristal. Ela havia sido enganada
sobre sua própria identidade, e o bebê é
resultado de uma experimentação genética ilegal.
Ao descobrir a verdade, Lúcia escolhe proteger o
filho, mesmo sabendo que isso a condenará. A
cidade, dividida entre a lei e a resistência, vê
no caso uma crise de identidade coletiva. As
autoridades tentam apagar as evidências, mas os
ativistas publicam partes da memória original,
gerando um debate nacional sobre o passado e o
futuro.
O bebê nasce em uma casa de campo, sob o olhar
de uma multidão que nunca soube seu nome. Lúcia,
agora uma figura pública, decide viver em
silêncio, mas sua história se torna parte do
panteão da nova geração. A cidade, por sua vez,
começa a questionar a forma como o tempo é
controlado.


