O correio entrega uma carta pautada com selo de
uma freguesia rural. A tinta desbota em letras
minúsculas: "Eles sabem". O destinatário, um
jovem funcionário público, recusase a abrila.
Na quintafeira seguinte, o jornal A República
publica uma manchete: "Família Real em
Perigo".
O secretário de Estado é encontrado morto em sua
casa, com uma garrafa de vinho e um relógio de
bolso quebrado.
A carta é entregue novamente, agora com uma
fotografia de um homem desconhecido ao lado de
um oficial republicano. O funcionário é chamado
para uma reunião no Ministério da Justiça. Ele
nega ter recebido a carta.
No dia seguinte, o diretor do jornal é demitido.
Um grupo de homens invade a redação, arrancando
páginas do arquivo. A carta é encontrada em um
envelope escondido atrás de uma pilha de
documentos.
A avó sábia, dona de uma pequena livraria em
Alfama, reconhece as marcas da tinta como
pertencentes a um velho amigo de seu marido. Ela
se lembra de uma conversa sobre "o silêncio que
protege".
O funcionário é acusado de espionagem. Ele foge
para o campo, onde a avó lhe dá um mapa com
pontos marcados. Um deles é uma antiga capela
abandonada, onde ele encontra um diário
escondido sob uma pedra.
O diário revela que o oficial republicano era um
espião do antigo regime. A carta foi escrita por
alguém que teme o poder do novo governo. A avó,
então, escreve uma nova carta, endereçada ao
editor do jornal, usando a mesma tinta e papel.
No dia seguinte, o jornal publica a carta, sem
assinatura. A mensagem é simples: "O silêncio
não é sempre inofensivo". O funcionário é
libertado.
A capela é destruída na noite seguinte, mas o
diário é salvo por um menino que trabalha como
ajudante na região. A avó, já idosa, morre no
dia seguinte, deixando uma caixa com objetos
antigos e uma nota: "Alguém precisa saber".
A carta anónima nunca é descoberta. Mas o
silêncio que ela provocou não é esquecido.


