A cidade de Viseu em 1912 é um caldeirão de
rumores. O jovem Duarte de Alencar, herdeiro de
uma linhagem de senhores feudais, recebe um
testamento ambíguo: seu pai, morto em 1908,
deixou uma fortuna condicionada ao cumprimento
de um rito antigo. O documento menciona "o Amor
Secundário", um conceito desconhecido para ele,
mas com peso legal.
Duarte rejeita a ideia de seguir rituais
medievais, mas a lei do tempo republicano obriga
a execução. Ele se vê obrigado a buscar um
"especialista" — um velho escriba que, na
verdade, é um exativista monárquico. O homem lhe
explica: o Amor Secundário é uma forma de
reconhecer o amor não oficial, como um casamento
clandestino ou um filho ilegítimo, dentro do
sistema de propriedade feudal.
Na busca pelo segredo, Duarte descobre que seu
pai teve um relacionamento proibido com uma
camponesa, cuja descendente ainda vive em uma
aldeia isolada. A lei republicana, porém, não
reconhece direitos de herança nesse caso. O
desafio é maior: o Estado Novo está prestes a
ser criado, e os antigos privilégios estão em
xeque.
No caminho, Duarte enfrenta uma série de
obstáculos: a lei civil proíbe a prática de
duelos, mas ele é acusado de ofensa à memória
familiar. O clã rival, os Ferreira, envia um
emissário para exigir compensação. Um duelo é
convocado no pátio da antiga casa de campo dos
Alencar, sob a lua de outono.
O duelo não é de espadas, mas de provas: o
desafio é provar a legitimidade do Amor
Secundário. Duarte enfrenta um homem mais velho,
que diz ser o neto da amante de seu pai. A prova
é feita diante de uma assembleia local, onde a
nova ordem republicana começa a se manifestar.
Ao final, Duarte perde o duelo, mas ganha o
respeito de seus inimigos. A herança é dividida,
e a aldeia é incluída no novo plano de reforma
agrária. O Amor Secundário é registrado como um
fato histórico, não como um crime.
A cidade muda. O duelo foi o último de sua
espécie, e a transição republicana começa a se
firmar. Duarte, agora sem título, escolhe viver
na aldeia, onde o amor secundário é tratado com
respeito. A lei não muda, mas o mundo sim.


