A cidade de Lisboa, reduzida a escombros e
ruínas, vive sob um sistema de troca de
informações. Cada pessoa carrega um "
dado" — uma
memória ou fato secreto — que pode ser comprado
ou vendido. O mercado é controlado por uma elite
que se esconde atrás de máscaras e codinomes.
O último descendente da família Viana, um homem
com cicatrizes de guerra e olhos que nunca
sorriem, é convocado para um leilão clandestino.
Sua casa foi destruída, seu nome apagado, mas
ele ainda possui um dado: uma carta antiga que
revela uma aliança entre a monarquia e uma força
estranha que desapareceu com a queda do reino.
No salão subterrâneo, as pessoas se movem como
sombras. O leilão começa com objetos inúteis —
uma caneta, um relógio parado, um pedaço de
papel. Mas quando o apresentador anuncia o "dado
do silêncio", a sala fica em silêncio.
O nobre recusase a vender. A regra é clara: quem
entrega um dado perde o direito de têlo de volta.
Mas ele não tem opção. A polícia do novo regime,
armada com drones e códigos de segurança, invade
o local. Ele é preso, amarrado a uma mesa, e o
dado é colocado em uma cápsula de metal.
Na noite seguinte, o dado é aberto. A carta é
lida em voz alta, mas o conteúdo é inacessível.
A única informação útil é um nome: "
Miguel". Um
nome que pertence a um homem morto há décadas.
O nobre é liberado, mas sua mente está em chamas.
Ele busca Miguel em todos os arquivos, em todas
as ruínas, até que descobre que o nome pertence
a um operário que trabalhava nas minas antes do
colapso. O homem foi condenado por traição, mas
sua história nunca foi contada.
No final, o nobre encontra a tumba do operário,
escavaa, e encontra um diário. Dentro, está o
verdadeiro segredo: uma teoria sobre a falha do
sistema atual, uma forma de reverter o controle
das informações. Mas a teoria só funciona se
alguém tiver a coragem de usar o próprio dado.
Ele escolhe. O silêncio é quebrado. O sistema
começa a desmoronar.


