A cidade de Lisboa, reduzida a ruínas e
controlada por uma junta militar, mantém os
registros eleitorais em arquivos físicos, cada
voto guardado em caixas de metal enterradas sob
as ruas. A guerra civil terminou há dez anos,
mas a ordem é apenas aparente.
O sistema de votação foi substituído por um
código de barras físico, impresso em papel e
carimbado com selos de tinta vermelha. Cada
cidadão tem direito a um voto, mas a maioria dos
registros foi destruída. Quem tem acesso aos
arquivos originais pode influenciar o futuro do
país.
Ela, uma jovem rebelde sem causa, trabalha como
cozinheira em um abrigo para deslocados. Sua
irmã mais velha desapareceu durante a guerra, e
ela não sabe se está viva ou morta. Um homem lhe
entrega um envelope com um nome: "Maria
Alves".
Ele diz que ela é a única que pode encontrar o
voto da irmã.
Ela segue as pistas até uma antiga escola, agora
transformada em depósito de lixo. Lá, encontra
uma caixa de metal marcada com o nome da irmã.
Dentro, um papel amarrotado com o nome de um
político que já foi presidente. O voto é válido,
mas o político morreu há anos.
Ela é seguida por homens em trajes civis. Eles a
levam a uma sala subterrânea onde um oficial lhe
oferece um acordo: devolver o voto e ganhar um
passaporte para fora do país, ou perder tudo.
Ela recusa.
No dia seguinte, o voto é publicamente anunciado
como inválido. O oficial revela que o registro
original foi alterado, e a irmã foi condenada
por traição. A única forma de provar a verdade é
encontrar outro voto que confirme o dela.
Ela volta ao depósito, mas agora a caixa está
vazia. O mesmo homem que a ajudou antes a espera,
com uma chave. Ele a leva a uma caverna onde
outros registros estão escondidos. Entre eles,
um voto assinado por um líder dissidente, morto
na mesma época.
Ela tenta usálo para contestar o resultado, mas
o sistema é fechado. O oficial retorna, dizendo
que o voto é inútil. A única saída é deixar o
país. Ela hesita, mas então percebe que o
oficial não está sozinho. Há outro homem, com o
rosto coberto, que parece conhecêla.
Ele fala: "Você não precisa fugir. A verdade já
foi escrita." E aponta para uma parede onde está
gravado o nome da irmã. A verdade foi preservada,
mas ninguém a lê.
Ela decide não fugir. O voto é um símbolo, mas a
verdade é algo maior. Ela começa a escrever a
história do que aconteceu, usando os registros
que encontrou. O oficial tenta interromper, mas
ela não recua.
No final, os registros são publicados em um
jornal clandestino. A cidade não muda
imediatamente, mas alguém lê a história e a
repassa. O voto não muda o futuro, mas a memória
começa a renascer.


