A carta do coronel Ferreira é encontrada no

porão de uma casa abandonada em Coimbra. O

documento, datado de 1918, menciona uma operação

secreta que envolveu o exército e o governo

provisório. O jornalista investigativo João Vaz,

então com 32 anos, começa a seguir as pistas,

mas a busca é interrompida quando descobre que

sua namorada, Clara, está grávida — um fato que

ele não havia previsto.

O tempo se desfaz na capital, onde os riscos da

república ainda são palpáveis. João perde seu

emprego após publicar um artigo sobre a carta,

acusando o atual governo de ocultar arquivos da

instabilidade inicial. A pressão aumenta quando

o pai de Clara, um funcionário público de

confiança, é demitido por suspeita de ligação

com o passado republicano.

João se muda para Lisboa, onde a cidade respira

sob o peso do Estado Novo. Ele começa a

trabalhar como correspondente local, mas

agravamse as tensões: uma nova lei proíbe a

divulgação de documentos anteriores a 1926. A

gravidez de Clara avança, e ela pede que ele

deixe o trabalho. Ele recusa, temendo perder a

chance de revelar a verdade.

No fim de 1925, João encontra um caderno de

anotações no arquivo municipal. Nele, há

registros de encontros secretos entre oficiais e

membros do Partido Republicano. Um nome chama

atenção: o mesmo que aparece na carta do coronel

Ferreira. A informação é entregue a um editor

clandestino, mas a edição é confiscada antes da

publicação. João é preso por "atentado contra a

ordem pública".

Clara dá à luz em janeiro de 1926, durante uma

noite de chuva intensa. O bebê é menino, e João,

apesar da prisão, é liberado temporariamente

para o parto. Após a criança nascer, ele é

levado de volta ao quartel, onde é interrogado

sobre o conteúdo do caderno. Ele nega ter lido

qualquer coisa, mas os guardas sabem. A

repressão aumenta, e a gravidez tornase um sinal

de fraqueza.

No final do ano, o Estado Novo é instituído.

João é transferido para uma colônia de reclusão

em Angola, onde o clima é hostil e a vida é dura.

Clara, agora mãe solteira, vende seus pertences

para pagar uma viagem ilegal ao Brasil. Ela leva

o filho, mas não consegue encontrar João. O

último diário de João, encontrado por um soldado,

é destruído antes que possa ser lido.