A cidade de Alcobaça fica paralisada quando um

aparelho antigo é encontrado em uma casa

abandonada. O dispositivo, fabricado por um

engenheiro exilado, permite voltar a momentos

específicos do passado com restrições rígidas:

só pode ser usado uma vez e o usuário não pode

interagir diretamente com o tempo, apenas

observar. A mãe, Sofia, descobre o objeto após a

morte do marido, que sempre negou ter qualquer

ligação com o passado.

Sofia começa a usar o aparelho para revisitar os

dias antes da Revolução de 1910, onde seu pai

foi preso por atividades republicanas. Ela vê o

homem que se tornaria seu marido, então um jovem

oficial da monarquia, tentando proteger a

família de uma prisão iminente. O dispositivo

não permite mudanças, mas a visão dos eventos

revela que seu marido sabia da verdade sobre o

pai e escolheu silenciarse para salvar a própria

vida.

No presente, a cidade começa a sofrer falhas

tecnológicas inexplicáveis. O aparelho, que

Sofia mantém escondido, começa a emitir ruídos

estranhos e a mostrar imagens distorcidas do

passado. Um grupo de jovens investigadores,

interessados em arqueologia tecnológica, percebe

a anomalia e busca o dispositivo. Sofia, temendo

que o segredo seja exposto, decide destruílo,

mas o aparelho já começou a alterar o ambiente

ao seu redor — luzes piscam, objetos se movem

sem explicação.

Ela volta ao passado pela última vez, agora com

a intenção de confrontar o homem que se tornaria

seu marido. Ele está diante de uma decisão:

denunciar seu pai ou deixálo escapar. Sofia,

agora mais consciente do peso daquela escolha,

não interage, mas o observa com emoção contida.

Ao retornar ao presente, o dispositivo cessa de

funcionar, e a cidade recupera sua normalidade.

Sofia deixa o aparelho enterrado, mas guarda a

memória. A vingança, que parecia inescapável, se

revela como uma cicatriz invisível, forjada por

escolhas feitas em silêncio. O tempo, ela

conclui, não é algo a ser corrigido, mas

compreendido.