A cidade de Alcobaça, agora reduzida a ruínas e

controlada por uma milícia armada com

equipamento recolhido de bases militares

abandonadas, é o cenário de uma nova ordem. A

água é racionada, os computadores são proibidos,

e a memória coletiva é censurada.

A artista Sofia, exilada da capital após ser

acusada de vandalismo político, vive em uma

favela improvisada. Ela pinta retratos de

figuras históricas, usando tinta de lata e papel

reciclado. Sua obra é proibida, mas sua

reputação persiste entre os sobreviventes.

Em um depósito subterrâneo, Sofia encontra um

jornal de 1920, intocado por décadas. As páginas

estão em português, mas as notícias mencionam

nomes e eventos que não existem no mundo atual.

O jornal fala de um pacto secreto entre líderes

republicanos e forças estrangeiras, um acordo

que teria evitado a instabilidade que levou ao

colapso.

Ela começa a decifrar os símbolos impressos,

encontrando mapas e códigos. Um dos códigos

revela a localização de um abrigo subterrâneo,

onde poderia haver documentos ou armas do

período. A milícia, alertada por um informante,

invade seu esconderijo.

Sofia consegue fugir, mas não antes de deixar um

desenho na parede — um retrato de um homem cujo

rosto ela reconhece de uma fotografia perdida. O

desenho é encontrado por um jovem soldado da

milícia, que o leva a seu comandante.

O comandante, um homem de meiaidade com

cicatrizes de guerra, reconhece o rosto. Ele

chama Sofia para uma conversa. Ele acredita que

o jornal é real e que o pacto mencionado pode

ainda ter implicações. Ele oferece proteção, mas

exige que ela revele tudo o que sabe.

Sofia hesita, mas decide seguir. Ela mostra o

jornal, e o comandante confirma: o pacto foi

real, e foi esquecido porque o poder mudou. Ele

acredita que o abrigo ainda existe, e que lá

podem estar provas de que a atual ordem foi

construída sobre mentiras.

Eles partem para o abrigo, mas o caminho é

bloqueado por uma emboscada. A milícia, temendo

a verdade, ataca. Sofia é ferida, mas consegue

escapar. O comandante é capturado.

No abrigo, ela encontra documentos e uma câmera

antiga. Os documentos confirmam o pacto, mas

também mostram que ele foi traído. A república

nunca foi realmente independente.

Sofia volta à cidade, mas agora todos a veem

como uma ameaça. Ela decide destruir o jornal e

os documentos, para que a verdade não caia nas

mãos erradas. Mas antes, ela pinta um novo

quadro — o rosto do comandante, agora preso em

uma cela, olhando para ela.

O mundo continua, mas a memória não é mais

segredo.