A cidade de Alvalade, reduzida a escombros por

uma guerra que não foi registrada em nenhuma

história oficial, é habitada por sobreviventes

que vivem em uma realidade distorcida. A memória

coletiva é reescrita a cada dia, conforme novas

leis naturais emergem — o tempo retrocede em

áreas específicas, e objetos materiais

desaparecem quando ninguém os vê.

A socialite falsa, Clara Viana, chega com um

documento antigo que garante sua entrada no

núcleo da cidade, onde as regras ainda são

estáveis. Ela procura por um filho adotado

secretamente, cujo paradeiro foi ocultado

durante a transição republicana, mas descobre

que o menino foi transformado em um ser feito de

sombras, preso entre duas realidades.

Durante a busca, Clara enfrenta uma lei: ninguém

pode tocar em objetos que pertenceram a mortos.

Ela rompe a regra ao pegar uma foto de infância

do menino, e a cidade começa a colapsar em torno

dela. O tempo volta para trás em seu entorno, e

ela é forçada a viver o mesmo dia repetidamente,

até que consiga entender a verdade sobre sua

própria origem.

No centro da cidade, em um edifício que não

existe em nenhum mapa, Clara encontra o menino.

Ele lhe entrega um objeto antigo, um relógio que

parou em 1926, e diz que ela é sua mãe biológica.

O relógio, porém, é uma arma: ao acionálo, a

cidade inteira é redefinida, e todos os que a

habitam perdem suas memórias, voltando a ser

quem eram antes do colapso.

Clara decide não usar o relógio. Em vez disso,

ela entra na zona de retrocesso e vive o dia em

que perdeu o filho, aceitando o passado como ele

foi. A cidade para de mudar, e a realidade se

estabiliza, mas Clara fica presa entre dois

tempos, uma figura espectral que caminha pelas

ruínas, buscando o que já foi perdido.

O final é esperançoso: a cidade, agora fixa,

tornase um lugar de recordação, onde os

sobreviventes aprendem a viver com o passado,

sem tentar reescrevêlo.