A casa da família de D. Clara foi abandonada

após a Revolução de 1910. No verão de 1923, ela

volta com uma carta do irmão morto, exigindo que

o espírito da antiga fazenda seja liberado. A

aldeia, ainda marcada pela instabilidade

política, desconfia de sua presença.

No quintal, um cipó cresce em espiral,

envolvendo as fundações da casa. Os moradores

dizem que o chão sangra quando a lua está cheia.

Clara ignora os rumores e começa a desenterrar

objetos da época imperial: uma corrente de

relógio, um colar de prata, um caderno de contas

com nomes de homens desaparecidos.

O vigário proíbe a entrada na propriedade, mas

Clara entra de noite. Encontra um porão submerso,

onde um altar de pedra exala um aroma de

salmoura e musgo. Uma figura de madeira, vestida

como um oficial da monarquia, repousa sobre uma

tábua. Ao tocar a imagem, o chão se rompe, e uma

corrente de ar frio emerge, carregando vozes de

crianças.

A aldeia é convocada para uma cerimônia de

limpeza. Clara, agora suspeita de bruxaria, é

obrigada a revelar o que encontrou. Ela mostra o

altar, mas ninguém crê no que vê: a figura de

madeira desapareceu, e o porão está vazio. O

povo acredita que o espírito fugiu, mas Clara

sabe que ele estava esperando por ela.

No dia seguinte, um homem doente aparece na

porta da casa. Ele diz ter sonhado com a mesma

cena da fazenda, e ao acordar, seu braço

esquerdo está coberto de marcas de unhas. Clara

não fala, apenas olha para o céu. O vento traz o

cheiro de terra molhada e o som de um sino

distante.