A capital é um cemitério de ideias. O jornalista,

recémchegado do interior, encontra um cofre de

papel no arquivo público, datado de 1912. Dentro,

um relatório sobre a morte de um líder

republicano, assinado por um ministro que já foi

condenado por corrupção. A lei obriga que todos

os documentos anteriores a 1914 sejam arquivados

como "não acessíveis", mas o cofre

está aberto.

Ele começa a copiar as páginas, ignorando o

aviso: "Este documento é proibido de ser

transportado". A noite seguinte, seu apartamento

é revirado. Uma nota deixada na mesa diz: "Não

mexa com o que não entende". Ele não recua.

No dia seguinte, o jornal publica uma reportagem

fragmentada. O ministro acusao de falsificação.

O editor é demitido. O jornalista é convocado ao

Ministério da Justiça. O salão é vazio, exceto

por um homem de terno cinza que lhe entrega uma

carta: "Você viu o que não deveria ver"

. A carta

é uma cópia do relatório, mas com uma anotação à

mão: "Mantenha o silêncio ou morra como ele".

Ele foge para o litoral, onde a família do

ministro tem uma casa de verão. Enquanto caminha

pela praia, vê um grupo de jovens carregando uma

urna de madeira. Eles o reconhecem. Um deles,

uma mulher, diz: "Você vai ter que escolher:

continuar vendo ou esquecer". Ele hesita. A urna

é aberta. Dentro, há um caderno de notas e um

nome: o mesmo do líder republicano.

Na madrugada, o jornalista volta à cidade. Pega

um trem que leva a uma estação abandonada. Lá,

encontra um velho que lhe entrega uma chave. A

chave abre uma câmara subterrânea onde estão

guardados todos os documentos proibidos. Ele

entra. A luz apaga. Quando volta, o jornalista

não tem mais memória do que aconteceu. Sua única

recordação é de ter fechado o cofre, e de ter

escrito uma última linha no diário: "Nada foi

perdido. Tudo foi transferido".