A cidade de Vila Nova se ergue sobre ruínas de
uma civilização préhistórica, onde o tempo flui
em ciclos. O arco de pedra no centro da praça,
datado de 1427, não apenas marca o início da
república, mas também altera a percepção do
tempo para quem o toca. Ninguém sabe por quê,
mas os homens da vila evitam contato com ele.
A professora Clara Mendes, conhecida por sua
rigidez e olhar inquebrantável, é chamada para
examinar um testamento antigo encontrado no
sótão de uma casa abandonada. O documento,
escrito em latim medieval, menciona um "tempo
perdido" e uma herança escondida. Ela reconhece
as assinaturas: familiares da vila, mortos há
séculos.
No dia seguinte, a cidade sofre um colapso
temporal. A praça do arco fica paralisada em um
instante, enquanto outras partes da vila avançam
quatro décadas. Os moradores, confusos, começam
a lembrar de eventos que nunca aconteceram.
Clara, ao tocar o arco, sente um choque e vê um
flashback de uma festa de casamento que nunca
ocorreu — mas que agora está gravado em sua
memória.
Ela investiga o testamento e descobre que o
autor, um monge da Idade Média, escreveu sobre
uma técnica de manipulação do tempo usando
artefatos locais. O arco é um dos últimos, e seu
uso liberta memórias coletivas que haviam sido
suprimidas. O testamento, porém, é contestado:
outros descendentes da mesma família afirmam que
o documento é falso, e que a herança pertence a
eles.
Clara enfrenta uma decisão: revelar a verdade e
causar caos na vila, ou manter o segredo e
permitir que o tempo continue seu curso. No
entanto, ao tentar destruir o testamento, ela
aciona uma reação no arco. A vila é engolida por
uma névoa prateada, e todos os habitantes são
transportados para um período anterior à
monarquia — uma época em que o arco ainda não
existia.
Quando a névoa se dissipa, a vila está intacta,
mas ninguém se lembra do que aconteceu. Clara,
porém, mantém a memória. Ela entrega o
testamento a uma nova geração, com um aviso: o
tempo não é linear, e alguns segredos são melhor
deixados enterrados.


