A aldeia de São Bartolomeu é isolada por uma

muralha de árvores antigas, onde os moradores

vivem sob uma regra esquecida: todos os anos, o

chefe da família deve votar em silêncio para

manter o tempo estático. A regra foi

estabelecida no século XVII, quando a vila foi

selada para evitar a invasão de forças externas.

Ninguém sabe como ela funciona, mas quem a

desrespeita desaparece sem deixar rastro.

Quando a viúva Mafalda retorna após 20 anos,

trazendo um documento antigo com as marcas de um

selo desconhecido, a aldeia começa a sofrer

tremores. As árvores começam a cair, e os

habitantes percebem que suas memórias estão se

confundindo. Mafalda, que nunca teve um marido,

é acusada de ter quebrado o pacto ao voltar,

mesmo que não tenha feito o voto.

No dia do voto anual, o velho líder da aldeia

desaparece. Mafalda, sob pressão, entra na

câmara subterrânea onde os votos são registrados.

Lá, ela encontra um caderno de perguntas antigos,

com respostas escritas em tinta que desaparece

ao toque. Uma delas diz: "O que você quer

esquecer?".

Ao escrever sua resposta, Mafalda sente uma dor

aguda no peito, como se algo dentro dela fosse

arrancado. Quando volta à superfície, o povo a

vê como uma assassina, pois o líder foi

encontrado morto, com as mãos cortadas. A regra

da aldeia exige que o culpado seja executado

imediatamente, mas Mafalda, agora com o

conhecimento do passado, negase a ser julgada.

Ela foge para a floresta, onde descobre que o

selo no documento era o mesmo que os antigos

governantes usavam para controlar o tempo. O que

ela não sabia era que, ao voltar, ela trouxe

consigo o primeiro desvio desde o selamento. O

tempo começa a se desfazer, e a aldeia, que

antes era imune ao progresso, agora enfrenta uma

realidade que não conhece: o futuro.