A aldeia de Alva fica isolada por um muro de
neblina que se forma todas as noites, impedindo
saídas e entradas. O fenômeno começa em 1923,
após uma revolução falha, e tornase parte do
cotidiano. Ninguém sai, ninguém entra. A
comunidade sobrevive com recursos limitados, mas
mantém uma ordem rígida baseada em rituais
antigos.
O detetive Cínico, exativista republicano, é
chamado para investigar o desaparecimento de um
jovem que tentou fugir. Ele chega à aldeia com
um documento oficial da República, que não é
reconhecido pelos moradores. Os líderes locais
exigem que ele entregue o papel, sob pena de ser
expulso. Ele recusa, e isso gera tensão.
Durante a investigação, ele encontra Clara, sua
antiga amante, que havia sumido anos atrás. Ela
diz que escolheu ficar na aldeia, mas não
explica por quê. Eles se encontram à noite, em
um campo onde a neblina não chega. Ela lhe
entrega um objeto: um relógio quebrado, marcado
com uma data anterior ao início do fenômeno.
No dia seguinte, o muro de neblina desaparece
por um instante. O detetive corre para a estrada,
mas vê uma figura familiar — o mesmo jovem
desaparecido. Ele tenta alcançálo, mas o homem
desaparece em meio ao ar. O detetive retorna à
aldeia e descobre que o relógio quebrou, e agora
o tempo dentro da aldeia começa a fluir de forma
diferente.
Clara revela que o muro de neblina é uma
barreira criada por um grupo de cientistas
republicanos que tentaram preservar a sociedade
contra os novos regimes. O tempo dentro da
aldeia avança mais lentamente, e quem entra não
pode sair sem pagar um preço. O detetive decide
permanecer, mas Clara desaparece na noite
seguinte, deixando apenas o relógio.
O muro de neblina volta a se formar, mas agora
há uma nova entrada: uma porta de madeira que
nunca foi vista antes. O detetive a abre, e vê
uma cidade moderna, mas vazia. No centro, um
monumento com a inscrição "Alva — 1923". Ele
entende que está em um tempo distorcido, e que
seu passado ainda pode ser reescrito.


