A colheita de 1973 é interrompida por um homem

encapuzado que levou o filho do fazendeiro. O

rapaz, de 18 anos, desaparece durante a noite,

deixando apenas uma carta em português antigo,

escrita com tinta vermelha, em cima da mesa da

sala. A carta diz: "Eles estão atrás de

vocês".

O fazendeiro, conhecido como João Ferreira, não

fala sobre o passado. Sua terra, perto de

Alentejo, é uma extensão de seu silêncio. Ele

recusa ajuda da polícia, preferindo investigar

sozinho. Enquanto isso, os vizinhos começam a

comentar sobre as mudanças na região — estradas

novas, máquinas modernas, e um novo sistema de

comunicação que parece alterar a maneira como as

pessoas se comunicam entre si.

No dia seguinte ao sequestro, um grupo de homens

chega à fazenda. Eles trazem uma máquina de

gravação antiga, feita de madeira e metal, com

cabos que parecem fios de cabelo. Dizem que a

máquina pode "ler o tempo". João nega, mas a

máquina começa a emitir sons — vozes de crianças,

risos de mulheres, e uma voz que ele reconhece:

a de seu pai, morto há 20 anos.

O fazendeiro descobre que o sequestrador é um

exestudante universitário que foi expulso por

participar de um grupo de resistência durante a

Retro Memória. O rapaz, agora chamado de Rui,

mantém o jovem prisioneiro em uma caverna

subterrânea, onde os novos meios de comunicação

são proibidos. Ele quer que João revele os

segredos da família — especialmente o que

aconteceu com o irmão mais velho, que

desapareceu durante a Transição Republicana.

João é forçado a contar a história do irmão, que

tentou denunciar um esquema de corrupção

envolvendo oficiais do Estado Novo. O irmão foi

preso, torturado, e nunca mais foi visto. A

informação é gravada pela máquina, que depois é

destruída. Rui liberta o rapaz, mas avisa: "O

tempo não perdoa quem cala".

O fazendeiro volta para casa, mas não consegue

dormir. Na manhã seguinte, encontra uma nova

carta, esta vez escrita com caneta esferográfica,

em português moderno. Diz: "Você não é o único

que tem medo do que está por vir". Ele olha para

o horizonte, onde a nova estrada corta a

paisagem, e decide não falar mais. O silêncio da

colheita permanece.