A casa na Rua das Flores é vendida por dívidas.

A advogada, com 32 anos, herda o imóvel e

descobre um baú no sótão. Dentro, cartas datadas

de 1968, fotos de um homem desconhecido e um

diário manuscrito. O diário fala de uma mulher

chamada Clara, presa em um casamento arranjado,

e de um filho que nunca foi registrado. A

advogada, grávida de quatro meses, começa a

investigar.

O bairro onde nasceu está mudando. Novas

construções substituem os muros de tijolo e o

cheiro de café fresco. A cidade parece esquecer

o passado, mas o diário menciona um crime não

resolvido: uma menina desaparecida em 1974,

durante a guerra colonial. A advogada busca

velhos moradores, mas todos se calam. Um homem

idoso, antigo funcionário da câmara, diz ter

visto Clara correndo com uma criança no dia do

desaparecimento. Ele acha que ela fugiu para o

Brasil.

A gravidez piora. A advogada tem náuseas

constantes e sonhos com uma praia longe. Ela

compra um bilhete de trem para Lisboa, mas muda

de ideia. Em vez disso, visita a antiga escola

primária, onde o diário mencionava uma

professora. A sala está vazia, mas há uma foto

de Clara no quadro de honra. A professora, já

idosa, confirma que Clara era sua aluna e que a

menina desapareceu após uma discussão com o

marido.

A advogada encontra um registro civil com o nome

da menina, Maria, e o sobrenome da família. Ela

vai ao cartório, mas o arquivo foi destruído

durante uma reforma. O funcionário diz que a lei

de 1975 proibia a divulgação de registros de

filhos ilegítimos. A advogada tenta agir, mas

seu médico alerta sobre o risco de parto

prematuro. Ela decide não seguir adiante com a

investigação.

No dia do parto, o hospital é evacuado por causa

de uma bomba ameaçadora. A advogada é levada

para um abrigo temporário, onde encontra o homem

idoso que falou sobre Clara. Ele lhe entrega uma

chave e um endereço em Coimbra. Quando ela chega,

encontra uma pequena casa com um jardim de

flores brancas. Dentro, uma mulher de idade

avançada a espera. Ela diz ser Maria, a menina

desaparecida.

A advogada volta para Lisboa com a criança. No

caminho, pensa em como o país mudou desde a

época do diário. As leis, os nomes, as histórias

— tudo parece diferente, mas os segredos

permanecem. Ela decide não revelar a verdade ao

mundo. O bebê nasce saudável, e a casa na Rua

das Flores é demolida para dar lugar a um novo

prédio.