A casa da tia em Lisboa é arrematada por um
grupo de homens de negócios. A menina, filha de
um oficial republicano morto na revolta de 1910,
é convocada para lidar com os documentos
herdados. O leilão acontece no salão da antiga
corte, onde os objetos são vendidos como
símbolos de um tempo que já não existe.
Ela descobre cartas entre a tia e um soldado da
Guerra Civil, cartas que nunca foram entregues.
O vendedor, um homem com lentes escuras e voz
suave, oferece aos compradores a chance de
adquirir histórias, não apenas objetos. Uma das
cartas menciona uma "segunda paixão", algo
proibido na época.
No dia do leilão, ela é forçada a subir ao palco
para explicar o valor dos papéis. Um homem da
plateia, com cicatrizes na mão, reconhece a
caligrafia da tia e pergunta se ela tem mais.
Ela nega, mas ele paga o preço mais alto por uma
pilha de folhas sem conteúdo.
Na noite seguinte, ele a encontra no jardim. Diz
que era o soldado da carta e que a tia o
rejeitou por ser "um homem sem causa". Ele
mostra um documento: a tia o tinha feito
registrar como seu filho ilegítimo, mas a lei da
época anulava o reconhecimento. Ele quer que ela
revele a verdade, mas ela hesita.
O leiloeiro aparece com uma oferta: ele sabe do
documento e quer comprar a história. Ela recusa,
mas ele ameaça expor o passado da tia,
arruinando a reputação da família. No dia
seguinte, ela entrega o documento ao jornal
local, mas o texto é apagado com tinta vermelha.
Ela sai da cidade no dia seguinte, deixando para
trás o leilão, as cartas, e o homem com
cicatrizes. A tia é lembrada como uma mulher de
amor secundário, cuja vida foi moldada por
escolhas que não pertenciam a ela.


