Em 1912, no Porto, Clara Alves, uma socialite
falsa doente de luxo, é expulsa da sociedade
após um escândalo de traição conjugal. O marido,
oficial republicano, descobre que ela manteve
correspondência com um líder monárquico exilado.
A cidade, em plena Transição Republicana, vive
tensões políticas e sociais. Clara é obrigada a
se esconder na casa da tia, onde encontra cartas
antigas que revelam segredos familiares sobre
uma linhagem ligada à monarquia e ao uso de
símbolos ocultos para comunicar.
O regime republicano, ainda frágil, começa a
censurar jornais e corrigir a narrativa
histórica. Clara, sem dinheiro, vende uma joia
de família que pertenceu à avó, uma mulher
acusada de espionagem durante a Guerra Civil. A
venda é feita a um coletor de arte que, ao
analisar a joia, descobre um mecanismo oculto:
um mapa antigo da região, com marcas de aldeias
abandonadas.
Clara é acusada de trair a República ao manter
relações com figuras monárquicas. O juiz,
influenciado por interesses políticos, ordena
que ela seja interrogada. Durante a sessão, ela
revela que a joia era um meio de comunicação
secreta entre familiares, não uma prova de
lealdade ao rei. O sistema de comunicação,
baseado em objetos e rituais, foi criado para
proteger a família durante a instabilidade
política.
A traição real, porém, é descoberta quando o
coletor entrega o mapa ao governo. O mapa aponta
para uma aldeia onde um grupo de republicanos
teria assassinado civis durante a transição.
Clara é acusada de ser cúmplice, mas os
documentos encontrados na casa da tia provam que
seu avô foi o responsável por ocultar os
registros. Ela é condenada a prisão, mas o caso
ganha notoriedade pública. A população, dividida
entre república e memórias do passado, começa a
questionar a versão oficial da história.
No final, Clara é libertada, mas perde tudo. A
tia, que a acolheu, morre de depressão. Clara,
agora sem nome, parte para Lisboa, onde escreve
um diário que será publicado anos depois,
revelando a complexidade das lealdades e
traições na transição republicana. O sistema de
comunicação oculta, porém, permanece intacto,
esperando por outra geração.


