A fazenda do Vale do Cobre é herdada por Clara,

filha de um fazendeiro tradicional que morreu

misteriosamente em 1915. Ela acorda com lacunas

na memória, lembrando apenas de vozes e uma

figura escura no celeiro. O povo do vilarejo

sussurra sobre uma traição, mas ninguém fala

abertamente.

Em 1918, o país se movimenta com manifestações

contra a monarquia. Clara começa a notar que os

vizinhos evitam mencionar o nome do pai, e as

cartas dele, guardadas no cofre, desaparecem. Um

homem estranho chega ao vilarejo, dizendose

historiador, e pergunta sobre a morte do

fazendeiro. Ele insiste em conversas que parecem

testar sua memória.

Clara descobre que seu pai era acusado de ter

ajudado um grupo republicano a planejar um

atentado. A memória seletiva a impede de lembrar

se ele foi culpado ou não. Ela começa a escrever

em um diário, mas cada página é rasgada antes

que ela termine. O silêncio do vilarejo se torna

sufocante, como se todos tivessem combinado de

esquecer.

Em 1920, o homem estranho desaparece. Clara

encontra um pedaço de papel no forno, com uma

frase: "Ninguém pode dizer a verdade".

Ela vai

ao cemitério e vê uma lápida com o nome do pai,

mas com uma data diferente da que conhecia. No

mesmo dia, o alqueive da fazenda é incendiado, e

ela escapa com vida, mas perde tudo.

No final de 1926, Clara volta para a cidade com

um documento que revela o envolvimento do pai em

um plano republicano. O governo está prestes a

criar o Estado Novo, e ela decide não revelar a

verdade. O vilarejo se cala, e ela parte sem

dizer adeus. O silêncio da terra permanece.