A menina é deixada na porta de uma casa de campo
em 1912, com um colar de prata e um bilhete em
branco. O colar, feito com pedras raras, é
proibido por lei desde a queda da monarquia. Os
moradores da aldeia, assustados, a rejeitam, mas
uma tia distante a acolhe. Ela cresce ouvindo
histórias sobre uma linhagem de mulheres que
manipulavam o tempo com objetos sagrados, antes
de serem banidas pelo novo regime.
Em 1920, a tia morre de forma misteriosa. A
menina encontra um diário escondido, escrito em
cifra. As páginas falam de um ritual que pode
reverter o tempo, mas exige um custo: o dono do
objeto perde sua memória. O colar, agora em suas
mãos, começa a vibrar quando ela pensa em alguém
morto. Ela tenta trazer de volta a mãe, que
morreu em 1915, mas ao fazer isso, desencadeia
uma crise de identidade: as pessoas da aldeia
começam a esquecer de existir.
No inverno de 1923, ela é acusada de bruxaria. A
polícia local, sob ordens do novo governo,
investiga os antigos rituais. Ela foge para
Lisboa, onde o colar a leva a um lugar que não
deveria existir: uma casa que nunca foi
construída, mas que está cheia de fotos de sua
infância. Ela descobre que seu pai era um
oficial que tentou proteger as últimas linhagens
da nova ordem. O colar não é um objeto, mas um
contrato: quem o toca tornase parte do sistema
que o criou.
Em 1926, durante um protesto contra o Estado
Novo, ela é presa. No interrogatório, revela que
o colar não pode ser destruído, apenas
transferido. O oficial que a interrogou,
reconhecendo a marca de sua própria família, a
libera. Ela sai da prisão com o colar, mas sem
lembranças. A aldeia, agora transformada em uma
cidade, não a reconhece. O colar cai no chão, e
ela não se importa em recolher. A herança,
finalmente, é perdida.


