A família Marinho mantém um latifúndio desde o

reinado de D. Pedro II. Em 1912, o governo

republicano anuncia leis de reforma agrária. O

patriarca António Marinho recusase a vender as

terras, acreditando que elas pertencem ao sangue,

não ao dinheiro.

No mesmo ano, uma empresa estrangeira compra os

direitos de mineração em áreas próximas. A

cidade vizinha, onde os filhos de António

estudam, começa a sofrer poluição e desemprego.

Um grupo de trabalhadores rurais se reúne na

taverna para discutir a situação. António ouve

as conversas, mas não interveio.

Em 1915, um oficial da Guarda Nacional é

encontrado morto perto das minas. A suspeita

recai sobre os operários. António é acusado de

ser seu mentor. Ele é preso, mas não há provas.

O juiz, influenciado pelo governo, condenao por

"incitamento à violência".

Durante o julgamento, o advogado do Estado

apresenta documentos que mostram a venda ilegal

de terras. António descobre que seu irmão mais

novo, que havia saído da fazenda anos antes,

negociou com a empresa. A revelação o deixa

paralisado.

No dia da execução, uma multidão invade a cela.

António é libertado, mas a fazenda é invadida

por trabalhadores que exigem a divisão das

terras. Ele foge para Lisboa, onde encontra seu

filho mais velho, que já é sindicalista.

Em 1920, António retorna à aldeia. A fazenda

está abandonada, mas ele encontra um cofre

escondido no celeiro. Dentro, estão cartas entre

seu pai e um industrial estrangeiro, datadas de

1908. As cartas revelam que a família já havia

vendido parte das terras décadas atrás, sem o

conhecimento dos outros herdeiros.

António decide destruir o cofre. Mas, antes,

escreve uma carta endereçada ao presidente da

República. A carta é entregue, mas não tem

efeito.

Em 1926, o regime autoritário surge. António é

preso novamente, acusado de subversão. Desta vez,

não há liberdade de imprensa. Ele é executado em

silêncio, sem testemunhas.

Sua terra é dividida entre os trabalhadores e a

empresa. A fazenda vira uma fábrica de têxteis.

Nenhum descendente assume o nome Marinho.

O poder corporativo triunfa. A terra, antes

símbolo de resistência, tornase apenas mais uma

propriedade.