A rua das Flores, em Lisboa, é um labirinto de

casas antigas e ruas estreitas, onde o passado

pesa mais do que o presente. O tempo não avança

aqui; apenas se acumula.

O músico falhado, João, toca no pequeno café da

esquina, com um violão desgastado e uma voz que

já não impressiona ninguém. Ele vive de memórias

de um tempo em que a música era importante, mas

agora só serve para pagar as contas.

No fundo da rua, uma mulher desaparece sem

deixar rastro. A polícia ignora o caso, como

sempre fazem. João, porém, ouve conversas em

cafés, vê olhares furtivos, percebe que algo

está errado.

Ele começa a investigar, sem saber por quê.

Apenas sente que o silêncio da rua está sendo

mantido com força.

Em uma noite de chuva, ele encontra um caderno

velho no sótão de uma casa abandonada. Dentro,

há anotações sobre crianças adotadas

secretamente, muitas delas desaparecidas. A

lista inclui nomes que ele conhece, pessoas que

vivem na rua, algumas que já morreram.

João é confrontado por homens que não falam,

apenas observam. Eles lhe dizem que ele não deve

procurar mais. Mas ele já sabe demais.

Na manhã seguinte, o café fecha. João não volta.

Sua guitarra fica no balcão, coberta de poeira.

A rua continua como antes, mas alguém agora sabe

a verdade. E o silêncio não é mais o mesmo.