A guerra colonial termina. O soldado José
retorna a Alenquer, onde cresceu. A casa da
família está vazia. Nenhuma carta, nenhuma
explicação. Só cinzas no chão e uma cartilha de
lições de português abandonada na mesa.
O povo fala em "acerto de contas" com
os que se
recusaram a colaborar. José descobre que seu
irmão mais novo foi levado em 1968, acusado de
traição. A mãe morreu de depressão dois anos
depois. O pai desapareceu durante uma operação
militar.
José entra na biblioteca da aldeia, onde
encontra um diário escondido. Ele revela que a
família era parte de um projeto secreto:
crianças escolhidas para serem "
reeducadas" como
agentes do Estado Novo. O irmão foi levado para
Lisboa, onde foi transformado em algo que não
era humano.
A cidade começa a sofrer colapsos. O tempo
parece parar em certos momentos. Pessoas
desaparecem sem deixar rastro. José percebe que
o regime usou tecnologia de manipulação mental,
desenvolvida nos anos 1950, para controlar a
população. A aldeia é um laboratório vivo.
Ele confronta o último oficial da operação,
agora velho e preso em uma rotina repetitiva. O
homem confessa que os "agentes" foram criados
para substituir os verdadeiros cidadãos. A
família de José foi eliminada porque tentou
fugir. A memória do passado foi apagada.
José decide voltar para Lisboa. Leva consigo o
diário e uma lista de nomes. Ele sabe que, se
revelar a verdade, será perseguido. Mas também
sabe que a aldeia não pode continuar assim — as
pessoas estão perdendo a capacidade de lembrar.
O tempo não avança, mas também não retrocede.
No final, ele entrega o diário a um jornalista.
A notícia sai, mas o governo nega tudo. O povo
começa a questionar. E José, pela primeira vez
em anos, sentese livre.


