A casa da avó é invadida por homens com cartas

de arrependimento. Ela recusa o convite para o

duelo, mas os homens não se retiram. A cidade,

ainda sob o peso da Transição Republicana, tem

regras que não permitem desonra sem resposta.

O duelo é marcado para o dia do festival da

colheita, quando as ruas estão cheias de gente e

o vento traz o cheiro de frutas murchas. A avó,

com sua voz calma, explica aos netos que o duelo

não é sobre vencer, mas sobre deixar o passado

ser enterrado.

No dia do encontro, o adversário chega com um

revólver e um olhar de quem já perdeu tudo. A

avó, com um cajado de madeira curta, põese

diante dele. A multidão observa em silêncio. O

homem dispara, mas a avó desvia com um movimento

rápido. O projétil acerta uma pedra, fazendo um

barulho alto.

Ela não fala. Não precisa. O homem abaixa a arma

e sai. A cidade não muda, mas algo dentro dela

se rompe. A avó retorna para casa, onde os netos

a esperam. Nenhum deles pergunta o que aconteceu.

As regras daquela época eram claras: o duelo era

obrigatório, mas a honra podia ser negociada. A

avó escolheu a negociação, e o preço foi o

silêncio. O que ela fez naquele dia não será

contado nas escolas, mas será lembrado nas

noites de verão, quando o vento sopra entre os

campos.