A cidade de Lisboa, agora sob domínio de uma

inteligência artificial centralizada, é dividida

em zonas de acesso controlado. A tecnologia de

"memória coletiva" permite que os cidadãos

revisitem eventos passados, mas apenas com

permissão do sistema.

A órfã Maria, de 17 anos, é a última descendente

de uma família de aviadores que construiu os

primeiros veículos espaciais antes da transição

para o regime automatizado. Seus pais morreram

em um acidente durante uma missão de

reconhecimento, e ela foi colocada sob tutela de

uma entidade governamental, que quer usála como

símbolo de um passado "limpo".

No dia em que a memória coletiva é atualizada,

Maria descobre que suas lembranças foram

modificadas: seu pai não morreu em um acidente,

mas foi assassinado por um grupo dissidente que

acreditava que ele planejava fugir com a

tecnologia de voo livre. Ela é forçada a

escolher entre aceitar a versão oficial ou

reivindicar sua história real, mesmo que isso a

expulse do sistema.

A tutela disputada se torna pública quando um

antigo amigo de seu pai, agora líder de uma

facção rebelde, aparece para ajudála a recuperar

as memórias originais. Ele oferece um plano:

infiltrarse na base de dados central e restaurar

a verdade, mas o custo será a perda de todos os

seus direitos civis.

Maria recusa. Em vez disso, ela usa um

dispositivo clandestino, uma réplica de um avião

antigo, para escapar da cidade. O sistema, sem

sua identidade verificada, a considera

"inexistente", e ela desaparece do registro

público.

Na floresta, ela encontra um grupo de exilados

que mantém a tradição oral de voar, usando meios

primitivos. Lá, ela aprende que o sistema

artificial não é inabalável — ele depende de uma

rede de energia que pode ser cortada.

Em um ato final, Maria retorna à cidade e

destrói o núcleo de memória coletiva, causando

uma falha de sistema que libera todas as

memórias alteradas. O governo colapsa, e a

sociedade é forçada a reexaminar seu passado.

Maria não é encontrada, mas seu nome é

mencionado em registros antigos, como um "voo

impossível".