A cidade de Lisboa se transforma em 1923. Um
eclipse solar revela uma fissura no tempo,
deixando cidades anteriores coexistirem com o
presente. As ruas agora têm portas que levam a
realidades paralelas, mas cada passo através
delas custa memória.
A elite da sociedade, incluindo a socialite
Falsa, começa a desaparecer. Elas são
substituídas por figuras de outros tempos,
mantendo aparência e posição, mas sem passado. A
única forma de se manter na nova ordem é fazer
pactos com entidades que exigem sacrifícios.
A Socialite Falsa, conhecida por sua fachada de
riqueza e influência, é chamada para uma reunião
secreta em um salão do século XIX. Lá, ela
descobre que sua própria família foi trocada há
anos. O pai que a criou não é o verdadeiro, e
seu nome foi alterado para protegêla.
Ela recusa o pacto oferecido, mas o preço é
imediato: sua memória de infância é apagada. O
que resta é uma vaga sensação de perda, e uma
carta antiga que menciona "uma promessa
quebrada".
Sem identidade, ela busca respostas nos arquivos
da Biblioteca Nacional, onde encontra registros
de outras pessoas cujas vidas foram reinventadas.
Cada uma tem uma marca estranha — uma estrela
tatuada no pulso, como a dela.
No final, ela confronta o líder da conspiração,
um homem do passado que se tornou senhor do novo
sistema. Ele lhe oferece a escolha: recuperar
sua memória, ou assumir seu papel como nova
"socialite falsa".
Ela escolhe a memória. O custo é ser expulsa do
mundo das portas, retornando à vida comum. Mas
antes de partir, ela destrói a chave que mantém
a fissura fechada. O tempo se reorganiza, e a
cidade volta ao que era — sem magia, sem pactos.
Sua história é esquecida, mas a estrela em seu
pulso permanece, como um sinal de que algo foi
perdido, e talvez nunca seja encontrado.


