A aldeia de São Roque é isolada por um muro de

neblina que se forma todas as noites, mantendo

os moradores presos ao tempo. A neblina não é

natural — ela é feita de memórias coletivas,

reforçadas por rituais antigos. O sistema de

governança é baseado em voto secreto, onde cada

cidadão decide a direção do vilarejo com uma

pedra gravada com seu nome, lançada em uma fonte

sagrada.

A avó Sábia, Mafalda, é a última guardiã das

inscrições na fonte. Ela sabe que há 27 anos, um

homem foi assassinado durante uma eleição, e seu

nome foi apagado da pedra. A neblina tornouse

mais densa depois disso, e o vilarejo começou a

parar de evoluir.

Um dia, Mafalda encontra uma nova pedra na fonte

— não pertence a ninguém conhecido. Ela a

esconde, mas a neblina começa a falhar em torno

dela. Pessoas começam a lembrar de eventos que

nunca aconteceram: uma guerra, uma revolução,

uma fuga para Lisboa. A aldeia começa a mudar.

Mafalda investiga, descobrindo que o assassino

era um líder do Crime Organizado local, que

usava a eleição para manter o poder. Ele foi

morto por um jovem que queria libertar a aldeia,

mas o crime foi ocultado. A neblina era a forma

de manter o equilíbrio — mas agora, o equilíbrio

está quebrado.

Ela confronta o líder atual, que tenta

dissuadila com promessas de prosperidade. Mas

Mafalda sabe que o preço da liberdade é a perda

da memória coletiva. Ela escolhe revelar a

verdade, jogando a pedra do assassino na fonte.

A neblina desaparece, e a aldeia acorda para um

novo mundo — sem memórias, mas também sem

prisões.