A aldeia de São Roque, isolada no interior de

Portugal, vive sob o peso de uma tradição que

proíbe qualquer contato com o mundo exterior. O

clero local, liderado pelo Padre António, mantém

o controle com rigor, mas uma nova era se

aproxima: os homens de Lisboa chegam com um novo

tipo de artefato — máquinas que falam e mapas

que mostram lugares nunca vistos.

No dia do leilão, o padre é obrigado a

comparecer após ser acusado de ocultar um objeto

sagrado. A venda acontece em uma antiga capela

abandonada, onde os itens são apresentados como

"memórias do passado". Entre eles, um

pergaminho

que parece conter a história real da aldeia —

incluindo o desaparecimento de uma família

inteira durante a Transição Republicana.

O leilão é controlado por uma sociedade secreta

que coleta objetos ligados à memória coletiva.

Os compradores não pagam dinheiro, mas oferecem

fragmentos de suas próprias histórias. O padre,

ao reconhecer um nome em um dos itens, tenta

interromper o processo, mas é impedido por um

homem que diz ser seu antigo discípulo.

Durante a sessão, o pergaminho é aberto,

revelando uma lista de nomes de pessoas que

foram "removidas" para preservar a ordem. O

padre, ao ver o nome de sua própria mãe, cai em

colapso. O leiloeiro então lhe oferece um acordo:

ele pode recuperar a verdade, mas terá de

entregar seu próprio passado em troca.

Ao sair da capela, o padre encontra a aldeia em

chamas. A sociedade secreta havia planejado um

ataque simbólico para mostrar o poder do novo

sistema. Ele é forçado a escolher entre salvar

os habitantes ou proteger o segredo que o

libertaria. Escolhe a aldeia.

No final, o padre é exilado, mas os registros do

leilão são encontrados em uma biblioteca. A

memória coletiva começa a se reescrever, e uma

nova geração questiona o que foi escondido.