A rainha de Areia desaparece no dia em que o sol

se inverte. Seu palácio, feito de cristal

líquido, começa a dissolverse ao amanhecer. O

príncipe herdeiro, acostumado a viver em torres

de vidro, é forçado a sair do castelo pela

primeira vez.

No vilarejo dos esquecidos, ele encontra uma

mulher que diz ser sua tia. Ela carrega um

relógio de areia que não cessa de girar. Os

habitantes evitam falar de seu passado, mas o

príncipe percebe que todos têm cicatrizes

quebradas — marcas de memórias roubadas.

Ele descobre que a rainha não foi assassinada,

mas transformada em um espelho. A magia do reino

exige que cada rei seja substituído a cada ciclo

lunar. A rainha, porém, resistiu, e seu corpo

foi preso entre mundos.

O príncipe é acusado de traição por tentar

libertála. Um tribunal de pedra decide que ele

deve pagar com sua própria memória. Ele recusa,

e o reino entra em colapso: as ruas começam a

desaparecer, os nomes são apagados do ar.

No final, ele escolhe esquecer seu próprio nome

para devolver o que foi roubado. A rainha

retorna, mas não como antes. Sua voz é feita de

vento e luto. O reino não se reconstrói, mas a

quietude da dor tornase um novo equilíbrio.

A areia volta a fluir, mas agora em direções

opostas.