A cidade de Alva foi transformada pela
descoberta de cristais que permitem o contato
com memórias do passado. A lei proíbe a
exploração desses cristais para fins pessoais,
sob pena de exílio.
A detetive Catarina Viegas, conhecida por sua
desconfiança e distanciamento emocional, é
chamada para investigar um caso aparentemente
trivial: um homem encontrado morto em uma
estrada, com um cristal em sua mão. O local é
uma aldeia isolada, onde os moradores vivem em
silêncio, evitando falar sobre o passado.
Catarina chega e percebe que a aldeia é
diferente das outras — as ruas estão vazias, as
casas fechadas, e ninguém quer falar. Ela visita
a casa do morto, onde encontra uma mulher idosa,
D. Luísa, que parece reconhecêla. As duas
conversam, mas Catarina não consegue entender
por quê.
Durante a noite, Catarina dorme e tem um sonho:
ela vê a si mesma, jovem, em uma praça, beijando
alguém. Acorda assustada. O cristal do morto
começa a brilhar quando ela o toca.
Ela retorna à aldeia no dia seguinte, mas D.
Luísa desapareceu. Um grupo de jovens, liderados
por um rapaz chamado Rui, a aborda. Eles sabem
que ela está ali por causa do cristal. Rui
revela que seu avô era o homem morto, e que ele
também tem um cristal. Ele mostrao: é um
fragmento de um par, o outro pertence a Catarina.
Ela recusa a ideia, mas o cristal começa a agir
sozinho. Uma imagem surge: ela e Rui, na
juventude, apaixonados. O tempo se inverte — ela
vê o passado como se tivesse vivido. O amor que
pensava ter esquecido volta com força.
Catarina tenta resistir, mas o cristal a força a
confrontar a verdade: ela e Rui eram amantes,
mas foram separados por uma lei da época,
durante a Transição Republicana. Ele foi expulso
da cidade, e ela foi obrigada a esquecer.
No dia seguinte, Catarina vai ao cemitério, onde
encontra o túmulo de Rui. Ao tocar a pedra, o
cristal brilha novamente. Ela vê o momento em
que ele foi morto — não por acidente, mas por
ordem de uma autoridade local, para impedir que
ele revelasse segredos sobre o uso ilegal dos
cristais.
Ela decide levar o cristal para fora da aldeia,
mas é impedida. Rui, agora um fantasma, aparece
diante dela. Ele lhe diz que ela precisa
escolher: continuar a viver como antes, ou
enfrentar o passado e mudar o futuro.
Catarina pega o cristal e parte. A aldeia cai em
silêncio. O mundo continua, mas ela carrega
consigo o peso de uma paixão tardia que nunca
foi resolvida.


