A cidade de Alva se prepara para as eleições de

1912. O padre António, conhecido por sua rigidez

moral, é convocado para supervisionar o

recolhimento dos votos em uma aldeia remota. O

local, isolado e tradicional, sofre com a falta

de infraestrutura e a ausência de autoridade

central.

O sistema eleitoral é novo, mas os métodos ainda

são arcaicos: cartões de voto manuscritos,

listas de cidadãos registradas à mão, e a

presença de um sacerdote como garantia de

legitimidade. António, porém, descobre que um

dos cartões foi falsificado — o nome da noiva

dele, Clara, aparece em duas listas.

Ele é acusado de manipular o processo, mas não

pode revelar o romance. A lei da época proíbe

casamentos entre clérigos e leigos, e a Igreja

exige que ele abandone a paróquia. Enquanto o

povo espera o resultado, António é obrigado a

presidir a apuração, com a ameaça de ser expulso

se a fraude for revelada.

Na noite anterior ao pleito, Clara desaparece.

Sua família acredita que ela fugiu com um

oficial do Exército, mas António suspeita de

outra coisa: ela tentou sabotar o processo para

protegêlo. Ele busca por ela nas ruínas da

antiga casa do governador, onde encontram um

documento que mostra que o próprio candidato

fraudou as listas.

Ao voltar à igreja, António entrega o documento

ao secretário eleitoral, que o ignora. O

resultado é anunciado: o candidato vence.

António é demitido na manhã seguinte, sem

direito a defesa. Clara, porém, retorna, e os

dois saem da cidade sob a proteção de um amigo

do padre.

O sistema eleitoral, agora exposto como frágil,

será reformulado nos próximos anos. Mas António

e Clara, agora foragidos, tornamse símbolos de

uma resistência silenciosa contra a corrupção e

a opressão religiosa.