A igreja de São Vicente entra em colapso após a

explosão de uma bomba na praça central. O padre

João, conhecido por sua retidão, é acusado de

ter escondido documentos sobre a origem dos

fundos da paróquia. A polícia invade a sacristia,

onde ele está de joelhos, rezando por um homem

morto na noite anterior.

O padre descobre que seu pai, um oficial da

monarquia deposta, havia financiado a construção

da igreja com dinheiro roubado de uma expedição

colonial. Os documentos, guardados em um cofre

atrás do altar, são encontrados por um jovem

seminarista que tenta provar sua lealdade ao

Estado Novo.

João é interrogado em uma sala sem janelas, onde

o chefe da polícia lhe entrega uma carta anônima:

"Você escolheu o passado. Agora pague". Ele é

ameaçado de prisão se não revelar os nomes dos

beneficiários. Enquanto isso, a cidade vive uma

greve geral, e as ruas estão cheias de

manifestantes exigindo justiça.

No dia seguinte, o padre vai à casa do único

sobrevivente da expedição, um velho soldado que

guarda uma chave antiga. Ele revela que a igreja

foi construída sobre uma tumba colonial, e que

os fundos foram usados para comprar terras que

pertenciam a uma família local. João, com a

chave em mãos, entra na cripta e encontra ossos

envoltos em tecidos reais, não em cera.

Ao sair, ele é abordado por um grupo de homens

armados que dizem representar o povo. Eles

exigem que ele entregue os documentos ou será

morto. João recusa, mas entrega a chave ao velho

soldado, que a coloca em uma urna de cinzas. A

igreja é fechada naquele mesmo dia, e João é

demitido sem aviso prévio.

A cidade entra em silêncio. Ninguém fala do

padre, nem da igreja. A única memória que resta

é o som do sino, que toca apenas nos dias de

enterro.